segunda-feira, 18 de junho de 2018

Favoritos começando a Copa com dificuldades



No final de semana de Copa do Mundo, tivemos a estreia de França, Argentina, Alemanha e Brasil. As campeãs mundiais não tiveram vida fácil contra Austrália, Islândia, México e Suíça, adversários teoricamente superáveis por seleções colocadas por muitos como favoritas para a conquista do mundial. A primeira fase serve para se classificar, não para apresentar logo de cara o melhor futebol, mas no caso dessa Copa, o equilíbrio nos jogos parece ser uma tônica. 

França

Foto: Twitter/FIFA

Os franceses vieram com a expectativa nos talentos de Mbappé, Griezmann e Pogba, que comandam uma seleção de jogadores com renome nos principais clubes europeus. No entanto, o que o time apresentou em campo foi aquém do imaginado. Se percebia pouca mobilidade dos jogadores para buscar mais a tabela e os avanços, fazendo com que o time apenas rodasse a bola a procura de espaços e não os criasse. Tanto que o time iniciou o jogo sem uma referência no ataque, com Griezmann sendo o homem centralizado, e depois colocou Giroud para tentar mais efetividade.

Diante da Austrália, que tem suas qualidades, mas no papel não superaria os franceses, o time campeão de 1998 ficou devendo e saiu com muito lucro com a vitória, porque pelo futebol não foi tão merecido o triunfo. Destaque também para o fator decisivo do VAR, que colaborou para a marcação dos dois pênaltis e a tecnologia da linha do gol, que confirmou o gol contra australiano. 


Argentina

Foto: Twitter/FIFA

Os hermanos encararam a Islândia na estreia e tiveram bastante dificuldade. Jogando sempre buscando Lionel Messi, a Argentina encontrou os adversários e estreantes na Copa jogando totalmente fechados e apostando no contra ataque. Como os lances procuravam excessivamente o camisa 10 argentino, os islandeses cercavam o jogador e evitavam que ele criasse mais perigo. Messi precisava começar, conduzir e chegar para finalizar as jogadas tamanha a dificuldade de jogo dos argentinos.

O time poderia ter dado até mais sorte, mas Messi perdeu o pênalti que daria a vitória. Nos números, a Argentina teve 27 chutes feitos, com 7 indo pro gol, enquanto a Islândia chutou 8 e mandou 2 pro gol. A posse de bola argentina foi de 77%, mas que não se converteu em perigo real aos islandeses pela verdadeira muralha defensiva que conseguiu ter sucesso em bloquear os adversários. Para os próximos jogos, a Argentina precisará jogar com os outros jogadores e não centralizar tudo em Messi, para que o 10 apareça no momento certo para decidir. 

Alemanha

Foto: Twitter/FIFA

Na estreia da atual campeã mundial, muitas surpresas e a vitória mexicana. Os alemães jogaram durante o tempo todo na base dos toques e procurando o melhor espaço para o chute, mas encontraram uma defesa mexicana bem postada e o goleiro Ochoa, que na seleção parece outro goleiro, salvando tudo. Foram nove chutes a gol alemães contra quatro mexicanos. O que os alemães não esperavam era o estilo de jogo do México, que conseguia ser perigosíssimo nos contra golpes, saindo com muita velocidade e encontrando a defesa alemã aberta, já que o time joga adiantado. 

Se os atletas mexicanos tivessem mais paciência e qualidade o placar poderia ter sido até maior, tamanha a quantidade de contra ataques e chances de gol perdidas. Muito se fala da efetividade alemã e da paciência para criar e encontrar o gol, não vimos isso acontecer de maneira concreta e poderemos ver alguma mudança no time para os próximos jogos, que precisarão ser vencidos caso a seleção queira passar de fase. 

Brasil

Foto: Twitter/FIFA

A seleção brasileira estreou ontem e fez dois tempos bem distintos. No primeiro, tinha o futebol que nos acostumamos na era Tite, com passes, chances boas criadas, criatividade e efetividade. A Suíça pouco conseguiu fazer diante do bom volume de jogo brasileiro. Mas, na segunda etapa, o espaço para o time suíço ficou maior e o adversário dos brasileiros começou a criar maior perigo, culminando no gol de Zuber. Após o gol, a equipe brasileira se transformou e ficou muito pouco criativa, jogando muito com Neymar, que chamava os lances para a individualidade e era parado pelos marcadores suíços, muitas vezes com falta. O atacante sofreu 10 das 19 faltas que a seleção sofreu no jogo. 

Além do abalo sofrido com o gol, Tite acabou tirando Casemiro para ele não levar outro cartão e colocou Fernandinho, além de colocar Renato Augusto e mais a frente, aos 30 minutos já, escalar Firmino. Principalmente Renato e Fernandinho foram opções que não colaboraram para que o Brasil tivesse mais volume e efetividade para buscar a vitória. Muito se criticou a arbitragem e que o VAR não teria sido chamado para os lances polêmicos, mas o Brasil ficou devendo em campo e a arbitragem não pode ser culpada pelo empate. 


sexta-feira, 15 de junho de 2018

Uruguai na raça, Irã líder e um Portugal e Espanha histórico



Segundo dia de Copa do Mundo movimentado e com bastante emoção nas partidas. Destaque para o primeiro grande jogo da competição, entre Portugal e Espanha. Confira a análise das três partidas do dia:


Uruguai x Egito

Foto: FIFA/Twitter

No primeiro jogo do dia, os uruguaios tentavam quebrar um tabu de 48 anos. O time celeste não vencia na estreia da competição desde 1970, quando venceu Israel por 2x0. De lá pra cá, foram três empates e três derrotas. No comando uruguaio, o treinador Óscar Tabárez igualou o recorde de maior intervalo de tempo entre a primeira e a última ou mais recente Copa do Mundo que treinou uma seleção. A primeira vez que treinou o Uruguai foi em 90 e ele igualou Zagallo (70 e 98) e Parreira (1982 e 2010). 

Do lado egípcio, os faraós voltaram a disputar uma Copa após 28 anos, sim, quando o Tabárez treinou o Uruguai pela primeira vez. Essa é a terceira participação do país, tendo jogado em 1934 e 1990. Se entrar em campo em algum jogo nessa Copa, o goleiro El Hadary, de 45 anos, se tornará o jogador mais velho a atuar em uma partida do torneio, superando Mondragón, da Colômbia, que jogou aos 43 anos no Brasil. 

Falando do que aconteceu em campo, o Egito se propôs a jogar esperando o Uruguai e fechou a defesa para as tentativas do time da cisplatina. O time de Suarez e Cavani não conseguiu ser criativo com os meias mais leves e o camisa 10 Arrascaeta, tanto que a equipe acabou sendo mais perigosa quando Tabárez justamente tirou eles e colocou meias menos criativos e mais dispostos ao jogo tradicional uruguaio, na ligação mais direta e nos cruzamentos. 

Após alguns gols perdidos por Suarez e uma grande chance de Cavani salva pelo goleiro, Gimenez salvou a pátria e fez de cabeça na bacia das almas. Fez falta para os egípcios a presença de Salah, que ficou no banco e não foi colocado pelo treinador Héctor Cúper. Elneny e o comando de ataque do time africano até chegaram algumas vezes, mas sem assustar muito o goleiro Muslera.

Agora o Egito precisa fazer saldo contra a Arábia Saudita e jogar pelo tudo ou nada contra a Rússia. O Uruguai se salva de mais tensão e pode se classificar ganhando dos sauditas e empatando com a Rússia.





Marrocos x Irã

Foto: FIFA/Twitter

As duas seleções teoricamente mais fracas do grupo B abriram a primeira rodada. Após 20 anos fora do torneio, os marroquinos retornaram para a luta em 2018. Destaque para o time que não perdia havia 18 jogos  e contou com o treinador, Hervé Renard, num dos trunfos, vencedor da Copa Africana de Nações com Zâmbia e Costa do Marfim e chegou com retrospecto para conseguir recuperar a seleção marroquina.

Dentro de campo, se esperava mais do meia Hakim Ziyech. Ele recebeu o prêmio de melhor jogador do Ajax na temporada 2017/18 e foi o líder de assistências do campeonato holandês. Apesar da qualidade de alguns jogadores e da presença de Benatia, da Juventus, no elenco marroquino, algumas posições, principalmente as alas, eram ocupadas por jogadores improvisados, o que demonstra problemas para jogar com equipes de maior qualidade, quando esses jogadores forem mais exigidos. 

Vale a lembrança que o Marrocos conta com muitos atletas nascidos fora do país, filhos de pais marroquinos. Dos onze que começaram o jogo hoje, apenas El Kaabi nasceu no Marrocos, enquanto quatro nasceram na França, quatro nos Países Baixos e dois na Espanha.

No caso do Irã, a seleção asiática chegou credenciada pela forte defesa. Nos 18 jogos disputados nas eliminatórias, levou gols em apenas quatro jogos e ficou 12 partidas seguidas sem ter a meta vazada. O destaque do time é Alireza Jahanbakhsh, que fez 21 gols e deu 12 assistências na liga holandesa pelo AZ Alkmaar, sendo o artilheiro da competição e o terceiro em assistências. 

Antes do triunfo de hoje, o Irã havia vencido apenas uma partida de Copa, lá em 1998, quando superou os Estados Unidos. Eram oito derrotas e três empates antes da vitória sobre os marroquinos. Em um jogo onde as chances aconteceram mais na primeira etapa e o segundo tempo foi repleto de passes errados e jogadas imprecisas, o Irã saiu de campo sem ter acertado um chute a gol no segundo  tempo. Para completar, o jogo teve o gol contra mais tardio da história das Copas em jogos decididos apenas no tempo normal, anotado aos 94:07 por Aziz Bouhaddouz.





Portugal x Espanha

Foto: FIFA/Twitter

Na partida da rodada, o clássico ibérico correspondeu a todas as expectativas dos torcedores. No lado espanhol, um baque com a demissão de Lopetegui dois dias antes da estreia e o chamado de Hierro para o lugar do novo treinador do Real Madrid. Os espanhóis, após a campanha ruim na última Copa, se renovaram bem. Trouxeram Koke, Thiago e Isco do time campeão europeu sub-21 de 2013 e que se consolidaram no período até 2018. Com as perdas de Xabi Alonso e Xavi os jovens meias deram conta, junto do experiente Iniesta. Se o meio vai bem, o ataque tinha dúvidas sobre usar ou não Diego Costa ou optar por um atacante mais móvel. 

Em Portugal, uma parte do time envelheceu, principalmente os defensores, e Fernando Santos trouxe jovens meias e atacantes para mesclar, Gonçalo Guedes, Bernardo Silva, Gelson Martins, mas com a ausência de André Gomes, que caiu bastante de rendimento nos últimos tempos. Mesmo com essas revelações e nomes todos, as esperanças sempre ficaram sobre Cristiano Ronaldo, o jogador que tenta levar Portugal mais longe do que os críticos imaginam que vá. 

No jogo de hoje, Portugal veio tentando segurar os ímpetos espanhóis e até conseguiu abrir o marcador, sempre com ele, Cristiano Ronaldo. Mas, o time se acalmou e viu a Fúria impor o estilo de jogo de posse de bola e troca de passes rápidos, sob a batuta de Iniesta. Diego Costa apareceu e provou que era a escolha certa para o ataque, empatando. Mas, Cristiano Ronaldo arriscou o chute e De Gea aceitou para deixar o placar 2 a 1. 

No segundo tempo, Diego Costa novamente apareceu e empatou, para Nacho, em sequência, trazer a virada espanhola em belo chute. Portugal parecia morto e já não reagia aos avanços espanhóis, que também se poupavam e rodavam a bola em passes curtos. Até que, na reta final do jogo, Cristiano Ronaldo apareceu novamente para decidir. Com falta cobrada magistralmente, ele empatou de novo o jogo e completou a tripleta para salvar os portugueses do naufrágio na Copa. 

Cristiano é o quarto jogador a marcar em quatro Copas seguidas. Além dele, Pelé, Klose e Uwe Seeler tem essa marca. Cristiano havia feito um gol em cada uma dessas Copas, dobrando o número nessa edição. Ele é o primeiro a marcar três gols na Espanha em uma Copa também. Portugal nunca perdeu um jogo de Copa quando saiu na frente no placar, e mantém a escrita. O Irã, por ter vencido o Marrocos e pelo empate ibérico, é o líder do grupo B.




quinta-feira, 14 de junho de 2018

Apito inicial da Copa e a goleada russa



Foto: FIFA/Twitter

Começou a Copa do Mundo de 2018. Após quatro anos de espera, os amantes do futebol de todo o mundo não se importaram em assistir no jogo de abertura o confronto entre Rússia e Arábia Saudita, que pelo retrospecto das seleções não prometia muito, mas na Copa se assiste todo jogo e todo jogo pode ser um momento memorável do esporte quando se trata de Copa do Mundo. Além do jogo em si, um show que não empolgou muita gente, com Robbie Williams e uma cantora russa, além de Ronaldo aparecendo para animar o pessoal. 

Se alguém não viu o jogo por desconfiança nas seleções envolvidas, provavelmente se arrependeu após saber do placar elástico da vitória russa por 5 a 0, gols de Gazinskyi, Cherysev duas vezes, Dzyuba e Golovin. A Rússia não vencia haviam sete jogos e sofria para encontrar um estilo de jogo eficiente. Já a Arábia Saudita vinha querendo surpreender os donos da casa e sonhar, que não custa nada, com algo mais num grupo com Uruguai e Egito.

O placar elástico parecia não vir na primeira etapa, quando a seleção asiática se fechou no campo defensivo e conseguia evitar chegadas mais perigosas dos donos da casa, que sofriam com a falta de espaço para armar as jogadas e precisavam propor mais o jogo, quando a especialidade do time é a saída em ligação direta e com passes rápidos.

Foto: FIFA/Twitter


Os árabes ficaram encurralados no campo de defesa durante boa parte do jogo, trocando passes e tendo 61% de posse de bola ao final do jogo, além de 558 passes contra 343 dos donos da casa. Quando vemos as finalizações e escanteios percebemos a ineficiência dessa posse de bola. A Rússia chutou dez vezes ao gol, com sete chutes certos, enquanto a Arábia Saudita chutou três vezes mas sem acertar a meta de Akinfev. 

Os russos souberam muito bem aproveitar as bolas paradas e cruzamentos, que encontraram os jogadores bem posicionados na área. Além do fato de, quando a Arábia Saudita levou o primeiro gol, perdeu o controle defensivo e deu espaços para que as laterais pudessem ser usadas nos ataques e contra ataques da seleção da casa. Destaque individual para Aleksandr Golovin, que assumiu a responsabilidade no jogo, fazendo um gol e dando duas assistências. Outro destaque das duas seleções e que mostra que, no futebol globalizado pode fazer falta no desempenho, é o fato de 21 dos 23 jogadores da Rússia atuarem no próprio país e 20 dos 23 atletas sauditas atuarem no país. 

A Rússia se permite sonhar na Copa com esse triunfo, mas terá missões bem mais complicadas contra Egito, talvez o adversário mais direto, e o Uruguai, o favorito do grupo. Já para a Arábia Saudita as expectativas caem bastante e se torna mais obrigação ainda de Uruguai e Egito vencerem eles.







sábado, 2 de junho de 2018

Podcast Nerd Esporte #24 - Apito Final






Salve Salve Nerds! Podcast Nerd Esporte no ar pela última vez. O nosso querido podcast se despede na vigésima quarta edição e começamos um novo caminho com outro programa, que será lançado em breve. Saiba mais sobre esse processo e o que acontecerá, na presença dos nossos gloriosos João e Arthur, que recebem craque Vitor e Matheus para explanarmos tudo o que precisa ser explanado.





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