sábado, 18 de fevereiro de 2017

África do Sul e o título da CAF de 96





A África do Sul viveu intensos e tristes anos sob o regime do Apartheid, que segregava os negros dos brancos e suprimia a maioria negra que vivia no país. Um dos eventos pós-Apartheid que mais nos lembramos para falar sobre o começo da reconciliação do país é a Copa do Mundo de Rugby de 1995. A competição foi vencida pela seleção sul-africana em casa e com muita união de brancos e negros tanto na torcida quanto na própria seleção, em participação ativa de Nelson Mandela.

Mas, além desse evento memorável, não podemos esquecer de outra grandiosa conquista do país no esporte e que também trouxe um sentimento de unidade ao país, a Copa Africana de Nações de futebol de 1996. Assim como a Copa do Mundo de Rugby não tinha os sul-africanos como favoritos, no futebol o favoritismo da nação era menor ainda.

Antes de falar da campanha, vamos aos personagens principais. O goleiro da equipe era Andre Arendse, que foi quatro vezes campeão sul-africano e na época da Copa Africana defendia o Santos Football Club, sim, uma homenagem ao Santos brasileiro. Arendse defendeu a seleção por 67 jogos e chegou a ser goleiro do Fulham por duas temporadas. de 98 a 2000.

Sizwe Mountag era o zagueiro da equipe. Ele passou por Leeds, Tenerife e até o Saint Gallen, da Suíça, além de clubes sul-africanos. Na época da CAF ele jogava no próprio país e disputou 26 jogos pelos Bafana Bafana.

Eric Tinkler era um dos meio campistas da seleção. Ele rodou por Portugual, Inglaterra, Itália e estava no Vitória de Setubal em 96. Phil Masinga foi um dos jogadores de maior sucesso do país. O atacante rodou por Inglaterra, Itália, Suíça e passou até no oriente médio. Na época da CAF estava defendendo as cores do Leeds. O onze inicial da equipe normalmente contava com Arendse, Motaung, Tovey, Fish, Niaty, Tinkler, Buthelezi, Moshoeu, Khumalo, Williams e Masinga. E o comandante da equipe era Clive Barker, renomado treinador no país que desde 1973 rodou por equipes até em 1994 chegar ao selecionado nacional. Por obra do destino, sorte, ou coincidências da vida, o Quênia não conseguiu se preparar como sede da CAF de 96 e assim a sede ficou com a África do Sul.

Por causa do regime do Apartheid, a África do Sul ficou por muitos anos proibida de participar de competições esportivas internacionais. No ano anterior, 95, a equipe enfim conseguiu realizar  mais amistosos e participou de uma copa, tendo boas atuações contra Egito e Costa do Marfim.

Foto: Getty Images


A Campanha

No primeiro jogo, com quase 80 mil presentes no FNB Stadium, a África do Sul encarou a poderosa seleção de Camarões, sensação da Copa de 94. Porém, os camaroneses já não contavam com vários talentos, que eram comandados por Roger Milla na Copa. Sem tomar conhecimento, a seleção da casa atropelou os leões indomáveis e venceu por 3 a 0, gols de Masinga aos 14, aproveitando lançamento longo, Williams aos 37 sendo oportunista no bate-rebate da área e Moshoeu aos 10 da segunda etapa, tabelando com Masinga e invadindo a área para tocar na saída do goleiro.




No segundo duelo, partida equilibrada diante de Angola. O gol saiu na segunda etapa, aos 13 minutos, com Williams. Final 1 a 0.

Já na terceira partida, jogo contra a grande seleção do Egito. Os Bafana Bafana não foram tão bem e logo aos sete minutos viram El Kass marcar o gol da vitória egípcia. Mesmo com a derrota, a seleção da casa se classificou em primeiro lugar no grupo, com saldo melhor que os egípcios, 3 contra 1.

Nas quartas de final, uma partida que foi a famosa prova de fogo da equipe da casa. O jogo foi contra a Argélia e como podemos ver nos melhores momentos abaixo, a partida foi bem disputada. A seleção da casa saiu na frente já aos 27 minutos, com Mark Fish dando um carrinho oportunista na área. O empate saiu já na bacia das almas, aos 39 minutos. Tarik Lazizi subiu bem no escanteio para marcar para a Argélia. Mas, na vontade, no minuto seguinte, John Moshoeu aproveitou a bola na intermediária e acertou chute certeiro no canto, 2 a 1 e festa no estádio.  






Na semifinal, outra pedreira no caminho sul-africano, dessa vez Gana, que era comandada por nada menos que Abedi Pelé, o maior artilheiro e jogador da história do país, mas que suspenso não jogou. E, assim como no confronto com Camarões lá na primeira fase se esperavam dificuldades, o passeio da seleção da casa foi igual. Moshoeu marcou dois gols, um aos 22 e outro aos 42 da segunda etapa, enquanto Williams fez o dele com um minuto da etapa final. 

Com 80 mil presentes no FNB Stadium, a África do Sul entrou em campo diante da Tunísia em busca do título inédito. O nervosismo atrapalhou a equipe, que errou muito na primeira etapa e acabou passando zerada no placar. No segundo tempo, o time colocou mais a bola no chão e conseguiu concretizar as jogadas. Aos 28 minutos, falta cobrada, a bola foi desviada de cabeça, o goleiro errou e chegou na segunda trave em Masinga, que cruzou na medida para Mark Williams cabecear e abrir o placar. 
Dois minutos depois, erro na saída de bola da Tunísia, com Radebe tomando a bola e tocando para Williams, de novo ele, entrar na área e tocar fora do alcance do goleiro, 2 a 0. 



Um título que entrou para a história do futebol e também da África do Sul como um todo. Se o esporte pode transformar a sociedade, podemos dizer que ele fez bastante pela África do Sul com as conquistas no futebol e no rugby.  


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Artilheiros Continentais







Se tem uma competição que anima as torcidas pelo mundo esta é a copa continental. Sejam as Ligas dos Campeões da Europa, Ásia, Oceania, África, América do Norte ou a Libertadores da América, temos os jogadores que se destacam pela artilharia pesada. Traremos aqui os maiores artilheiros de cada uma das competições continentais, seja em uma única edição ou no somatório das participações. 


Ásia

Dong-Gook Lee, o matador asiático - Foto: AFP

Na Liga dos Campeões da AFC, a Federação Asiática de Futebol, temos um brasileiro como maior artilheiro de uma única edição da Liga. Muriqui, atuando no chinês Guangzhou Evergrande, anotou 12 gols na edição de 2013/14. O Guangzhou foi o campeão daquele ano.

O artilheiro geral da AFC Champions League é o sul-coreano Dong-Gook Lee. Lee conseguiu a marca de 32 gols em 57 jogos disputados na competição. Ele defende o Jeonbuk, da Coréia do sul e já tem 37 anos de idade. 


Oceania

Totori, o cara da Oceania - Foto: Getty Images

Se já não é muito fácil encontrar dados da Ásia, a Oceania precisa de confiança nos poucos sites que tratam da Liga de lá. Em uma única edição da Liga dos Campeões da Oceania, Sasho Petrovski é o artilheiro, com 13 gols anotados em 2001 quando defendeu o Wollongong Wolves e foi campeão. Ele soma 17 na história, com mais quatro gols feitos em 2005.

Na artilharia histórica,  Benjamin Totori é quem mais balançou as redes oceânicas com 20 tentos. Ele fez 7 gols pelo YoungHeart Manawatu em 2006, 7 pelo Waitakere United de 2008 a 2010 e 6 pelo Koloale em 2011 e 2012. Totori foi campeão da Liga dos Campeões da OFC em 2008 pelo Waitakere United.



África

A lenda do Egito e do Al-Ahly, Aboutrika - Foto: Getty Images

No continente africano, o maior artilheiro de uma edição única da Liga dos Campeões da África, desde 2000, é o jogador Stephen Worgu, que defendeu o Enyimba Aba, tanto o jogador quanto o clube nigerianos. Worgu marcou 13 gols na edição de 2008 da competição. 

Já o artilheiro geral da Liga dos Campeões da África é a lenda egípcia Mohamed Aboutrika, com 31 gols. Ele foi artilheiro na edição de 2006, com oito gols anotados e disputou 88 jogos da competição pelo Al-Ahly. Ele se aposentou em 2014. 

América do Norte

Orozco, artilheiro unificado na Concachampions - Foto: Azetaca Deportes
Na América do Norte, já tivemos várias competições continentais, mas é difícil de encontrar dados falando mais sobre as artilharias. Portanto, pegamos apenas os números da Liga dos Campeões da Concacaf, que existe desde 2008.

O maior artilheiro de uma única edição da competição foi Javier Orozco, quando jogava no Cruz Azul, na temporada 2010/11 e anotou 11 gols. E Orozco também é o maior artilheiro de todas as edições da Concachampions, com grandiosos 24 gols marcados em quatro participações.

Europa

O maior artilheiro continental - Foto: Getty Images

No velho continente, os artilheiros são velhos conhecidos do público nos últimos anos. Na temporada 2013/14, Cristiano Ronaldo destruiu e em 11 jogos marcou 17 gols. Ele quase alcançou o mesmo número em 15/16, marcando 16 gols. E, na artilharia geral, o gajo também é o líder. Cristiano tem nada menos que 95 gols, contra 93 de Messi, que vem na perseguição pela artilharia histórica.


Libertadores da América

Alberto Spencer, artilheiro não superado há mais de 50 anos


Em La Copa, o maior artilheiro em uma única edição é Daniel Onega, com 17 gols feitos. O argentino defendeu as cores do River Plate em 1966 para, nesse ano ser vice-campeão da competição, perdendo a final para o Peñarol. El Fantasma, como era chamado, nunca ganhou um título pelo River Plate, mas marcou 118 gols em 252 jogos pela equipe.

Na artilharia geral da Libertadores, um jogador que sabia como poucos ser artilheiro. Alberto Spencer fez história no Peñarol, sendo artilheiro de duas edições da Libertadores, em 1960 com sete gols e 1962, com seis. Spencer fez nada menos que 54 gols no total da competição continental. Ele é o segundo maior artilheiro do Peñarol, com 326 gols em 519 jogos. O jogador foi o primeiro a marcar quatro gols em uma partida na história da competição, com quatro tentos anotados na vitória por 7 a 1 no Jorge Wilstermann. O brasileiro com mais gols na Libertadores é Luizão, com 29 gols.

Agradecimentos aos amigos Yuri Casari e ao glorioso Arthur pela ajuda em encontrar alguns dados.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Podcast Nerd Esporte #15 - Superbowl LI






Está no ar mais um Podcast Nerd Esporte! Para começarmos o ano, Arthur e João trazem o nosso especialista Artur Lira para falar sobre o Superbowl LI. Saiba as expectativas e a campanha das equipes para o grande jogo, como foi o começo arrasador do Atlanta Falcons e a surpreendente e histórica reação do New England Patriots. E a pergunta, Tom Brady é o maior de todos os tempos?




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Citado no Podcast:

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Confira como foi um dos lances decisivos do Superbowl, a recepção que parecia impossível, AQUI

E veja alguns números e curiosidades sobre o Draft que selecionou Tom Brady, AQUI


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Guia Politicamente Incorreto do Futebol






Um dos livros de maior importância, que podemos colocar no hall das melhores produções sobre o futebol no país é o Guia Politicamente Incorreto do Futebol. Escrito pelos jornalistas Jones Rossi e Leonardo Mendes Júnior, o livro tenta desmistificar alguns episódios emblemáticos do futebol nacional e relata com mais informações outras tantas histórias folclóricas do esporte nacional. 

Como exemplo, temos a explicação de que a Democracia Corinthiana não foi tudo o que normalmente se diz como movimento, ou que João Saldanha, treinador da seleção brasileira antes da Copa de 70, saiu do comando técnico por problemas técnicos e não por ser declaradamente comunista. Há também histórias sobre Garrincha, Pelé e o famoso episódio da Batalha dos Aflitos. 

Mesmo as origens do futebol brasileiro, com Charles Miller, recebem alguns questionamentos por parte dos jornalistas, afirmando que de um modo ou outro o futebol chegaria ao país, pois já haviam vários operários ingleses e indústrias migrando para cá e assim a cultura futebolística seria inserida nas terras tupiniquins. 

Outro episódio polêmico e até hoje discutido, sobre quem seria o campeão do Campeonato Brasileiro de 1987, é explicado desde o princípio, na criação problemática do campeonato sem a CBF, até as alterações no regulamento ao longo da competição. No final, Flamengo e Internacional, que faziam parte do módulo Verde, não jogaram a fase final, que seria para decidir um campeão geral das divisões feitas. 

O outro módulo era o Amarelo, que tinha clubes os quais não eram filiados ao chamado Clube dos 13, mas que foram convidados a disputar uma espécie de segunda divisão nacional. Assim, Sport e Guarani, finalistas do módulo Amarelo, fizeram uma espécie de final e o Sport foi o vencedor. 
A polêmica fica até hoje por conta das várias interpretações que o regulamento e a história permitem. 

Essas são algumas das investigações, tendo outras tantas, com Messi, as origens do Barcelona, a superioridade francesa em 98 e a fraqueza da seleção brasileira de 82 e outros personagens e fatos conhecidos do esporte bretão. É um grande livro, tanto em tamanho, são 416 páginas, quanto em qualidade. Vale conferir esse trabalho bem completo feito pelo Jones Rossi e o Leonardo Mendes Júnior. 


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