terça-feira, 5 de setembro de 2017

Muffatão - História e Histórias de Pedro Muffato



Se você não é do Paraná ou não acompanha tanto o automobilismo, o nome de Pedro Muffato pode passar batido. No entanto, esse é um dos grandes nomes paranaenses das pistas e dos grandes incentivadores do automobilismo nacional. Toda essa participação e história valeu a produção de um livro, o "Muffatão - História e Histórias de Pedro Muffato", feito por Clóvis Grelak. 




Pedro Muffato nasceu próximo de Irati, no distrito de Água Clara, em 1942. Crescendo em uma família de comerciantes e trabalhando nos comércios de parentes, Pedro foi buscar em Cascavel a criação do comércio próprio. Em 1964, chegou ao município do oeste paranaense, onde indicaram a ele que seria um local próspero. 

Ali, em Cascavel, que a história nas pistas começou. A primeira prova registrada de Cascavel ocorreu em 1964, sem a presença de Muffato, que participou, a convite de amigos, da terceira edição, já em 1966. Naquela época, os pilotos corriam nas ruas da cidade mesmo, com poucas mudanças nos carros, que iam para as provas praticamente iguais aos veículos populares de qualquer cidadão. Tanto que, em uma prova, o piloto chegou a usar emprestado o carro da esposa de um dos amigos para não ficar sem correr. 

Animados pelo novo esporte e divertimento, os então pilotos amadores começaram a se organizar e criar mais provas, atraindo também pilotos de fora para correrem em Cascavel. Houve a construção do autódromo de Cascavel, que foi o quarto do Brasil, e após alguns anos o asfaltamento dele, tornando a pista apta a receber categorias maiores. 

No velho oeste paranaense, Pedro Muffato correu em várias categorias, desde a com carros populares, passando pelos de fórmula, com a Fórmula Super Vê, Fórmula 2, Fórmula 3 Sulamericana e até a Fórmula Truck. No total, até o lançamento do livro, em 2016, foram 415 corridas disputadas, o que somariam 8 anos consecutivos correndo todos os finais de semana. 


José Carlos Pace, o primeiro da esquerda, e Muffato, o terceiro


No caso da Fórmula Super Vê, que em 1980 acabaria após o patrocínio da Volkswagen terminar, o piloto paranaense foi um dos que ajudou a manter a continuidade da categoria. Muffato, além de um dos pilotos que corriam na Super Vê, foi também apoiador financeiramente e estrategicamente para ajudar a desenvolver um carro competitivo e assim seguir com a Super Vê, que foi então chamada de Fórmula 2 Brasil. 

Ele ajudou a trazer a tecnologia da Argentina e construiu o carro em uma fábrica em Cascavel. Era proibida a importação de carros e equipamentos de fora, então os mecânicos tiveram que aprender na marra a fazer os veículos baseados nos modelos argentinos. Depois ainda, foi feita uma F-2 Sulamericana, que aí teve participação principalmente de argentinos e brasileiros, mas contou com pilotos de várias nações. 

Pedro seguiu correndo nos carros de fórmula até o começo dos anos 90, chegando a dividir as pistas com pilotos como  o tricampeão de Fórmula 1 Nelson Piquet e até Hélio Castroneves, um dos jovens prodígios do começo dos anos 90 e que hoje está na Fórmula Indy. A carreira dos monopostos acabou com um grave acidente. Pedro se acidentou em 1996, quando corria na F-3 Sul-Americana, tendo múltiplas fraturas e ficando em estado grave. Foi levado até São Paulo, onde se recuperou e ali parecia ter abandonado as pistas. 

Muffato e o jovem Hélio Castroneves na F-3

Acabou que, quando estava apenas atuando como comentarista da ESPN Internacional nas provas da F-3 Sul-Americana, Muffato foi convidado, em 2002, pelo dono da Fórmula Truck, Aurélio Batista Félix, para correr em uma prova da categoria. O piloto foi correr em Londrina, mas o caminhão não estava em boas condições e depois de uma volta Pedro abandonou e pediu para ter um caminhão em melhor estado para poder ter mais condições de trabalhar. 

Acabou que as duas provas viraram quatorze anos de Fórmula Truck, com Pedro criando uma equipe própria e tendo chegado perto do título em 2006, mas ficando no quase por problemas nas provas finais. Com a crise começando na Truck em 2016, o piloto preferiu deixar os caminhões e dar ao menos uma pausa nas corridas depois de 50 anos de carreira. 

O livro também conta aspectos pessoais e várias histórias as quais poderíamos gastar um bom tempo aqui. Recomendo bastante o livro, que desvenda bem esse grande personagem que o automobilismo tem no país. Além da própria história do piloto, o livro acaba por contar muita coisa da história do nosso automobilismo nesses últimos 50 anos. 

Mais para o final do ano deveremos ter um material, feito com o próprio Pedro Muffato, que será publicado. 



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