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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Milton Mendes e os gols da Alemanha



Adiós, Milton Mendes (Foto: Divulgação/Atlético-PR)
Mais uma vez, os dirigentes brasileiros conseguem se superar. Dessa vez, o indivíduo é Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético Paranaense. Poucos dias depois de bancar a permanência de Milton Mendes, pediu o boné do mesmo. História semelhante a de Fernando Diniz, que levou um 'pé na bunda' do Paraná Clube, na mesma segunda (28).

Milton chegou ainda no Campeonato Paranaense, e evitou a queda do Furacão. No Brasileirão, levou o Atlético Paranaense ao G4, feito surpreendente visto a qualidade técnica do elenco. Porém, seis jogos sem vencer no Campeonato Brasileiro, colocaram todo o trabalho a prova.

Alguns fatos do jogo contra o Brasília me fizeram entender porque essas demissões repentinas acontecem. E nem sempre, a culpa é só do cartola. Na transmissão da RPC (afiliada da Rede Globo), a repórter Nadja Mauad relatou antes do fim da primeira etapa que os jogadores tinham mudado de postura. Ao contrário dos outros jogos, estavam conversando dentro de campo. Na saída para o intervalo, o meio-campista Bruno Mota confirmou que a atitude dos atletas realmente tinha mudado.

Pra bom entendedor, meia palavra basta. Indícios fortes da famigerada 'panelinha'. Fato estranho, já que a relação entre treinador e plantel aparentava ser sadia (pelo menos em frente às câmeras). Com certeza, o fato de ser ano eleitoral no clube pesou muito na decisão de Petraglia. Com isso, o Atlético tem no interino Sérgio Vieira, seu quarto técnico em 2015. Que pode chegar a cinco, caso o novo comandante não convença.

Os rubronegros da Arena não tem um bom elenco. Porém, conseguiram bons resultados. Um exemplo, é a vitória por 1 a 0 contra o Palmeiras na Allianz Parque, na 16ª rodada da liga nacional. A maioria dos jogadores são da base, alguns deles, com potencial. O CT do Caju formou (ou aprimorou) nomes com Hernani, Otávio, Sidcley, Bruno Mota, Crysan e Marcos Guilherme, os poucos que tem algum destaque. Além de Walter, o mais experiente no meio da molecada.

Até onde vai o Atlético sem Milton Mendes? Um time bem postado, entrosado, com toques rápidos e pressão no adversário principalmente no jogos em casa. Sem tempo, a sete pontos do G4 e a sete do rebaixamento e com uma competição internacional em paralelo. Sérgio tem 10 rodadas no Brasileirão para trazer o mínimo de alegria para os atleticanos, que tem comparecido a Arena da Baixada.

"Cada treinador que é demitido no Brasil é mais um gol para a Alemanha". Afirmação do próprio Milton, que define (a falta de) planejamento na linguagem do futebol brasileiro.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Por favor, deixem o Osorio trabalhar!



Por João Vitor Rezende

(Foto: Folha)
Você sabia que isso ia acontecer. Senhor Aidar, não se faça de desentendido. Creio que com a sua experiência, estava ajuizado dos riscos.

Você já viu Daniel Passarella e Ricardo Gareca nos seus rivais. Os dois, entraram no meio da temporada, pegaram o bonde andando. Saíram com uma mão na frente e outra atrás.

Você, senhor Aidar, bancou Muricy até quando não dava. Aí, foi deixando o Milton Cruz no comando até chegar em Osorio. Mas antes, perdeu tempo com Sabella, Sampaoli, Villas-Boas e outras ilusões. E podia ser o Luxemburgo. Só de pensar nisso, me dá calafrios. Seria muito mais prudente trazer um técnico estrangeiro, Osorio ou seja lá quem for, no início do próximo ano, com tempo pra trabalhar e experimentar a vontade.

Você tinha conhecimento de que o Osorio nunca tinha jogado um clássico contra o Palmeiras. E ainda nem sabe como é jogar um clássico fora de casa contra o Corinthians. E vai descobrir empiricamente, a sensação de enfrentar um Castelão lotado jogando contra.

Presidente, você tinha ciência de que ele é um cara estudado. E caso você não tenha acompanhado futebol em outros lugares do mundo, o esporte bretão tem evoluído. Tem rodízio de jogadores, marcação pressão, movimentação, variação tática. E é de conhecimento geral, que estes são conceitos dificílimos de fazer os jogadores brasileiros assimilarem. Tanto que, por aqui é comum ver boleiros bicudos por 'esquentar banco'.

E ainda por cima, senhor presidente, você tirou Paulo Miranda (não é um primor, mas faz falta), Doria, Souza, Denilson (esse eu comemoro), Boschilia, e ainda pode ter que pagar o Pato. Pelo menos, que mande o Toloi embora também. É justo o treinador testar variações de posições e esquemas, caso ele não conheça seus jogadores.

Só tenho uma súplica: deixem o Osorio trabalhar. Parem de cornetar o colombiano. Ele só quer implantar o que já deveríamos saber faz tempo. Juan Carlos, você tem a minha paciência. Só não deixe o presidente abusar dela.

sábado, 8 de agosto de 2015

Fazendo o feijão com arroz, United estreia com vitória na Premier League



Por João Vitor Rezende

United faz o básico e vence Tottenham (Foto: Manchester United)

No início de seu trabalho no Manchester United, Louis Van Gaal pediu paciência. Ao menos, quatro meses de testes, que acabaram durando toda a temporada. Só nos últimos jogos de 2014-15, o time teve boas atuações. A melhor delas contra o Tottenham, em casa, na 29ª rodada da última Premier League. 3 a 0, ótimas atuações de Mata e Rooney, com gol até de Fellaini.

Abrindo os trabalhos em 2015-16, os dois times se reencontraram no mesmo Old Trafford. Os Spurs a base do elenco passado, vendendo jogadores que não convenceram, como Paulinho, Capoue e Chiriches, e com Alderweireld como reforço. O United teve as estreias de Romero, Schneiderlin e Depay entre os 11 iniciais.

Por ter mais entrosamento, os visitantes começaram melhor, avançando a marcação e jogando no campo do adversário. Com os zagueiros pressionados, Romero foi acionado em várias oportunidades. Na maioria delas, o goleiro deu chutão quando Eriksen ou Kane pressionavam. Quando tentou trabalhar a bola, o argentino proporcionou momentos de emoção a seus torcedores. Mas, compensou o perigo fazendo boas defesas quando exigido.

Rooney e Depay jogaram como atacantes no 4-4-2 de Van Gaal. O jovem holandês teve atuação discreta. Talvez, por estar mais acostumado a jogar pelos lados. Por não serem atacantes de referência, os dois se movimentaram bastante, e por terem velocidade, contribuíram para os contra-ataques. Em um desses, Bentaleb deu bobeira e entregou no pé de Juan Mata. Rooney se movimentou pelo meio e teve o chute desviado por Walker. Devagarinho, Vorm viu a bola entrar em sua meta.

Depois do gol, o Tottenham se retraiu e os mandantes avançaram a linha de marcação. Com isso, o jogo esfriou. Um dos poucos que tentava ser incisivo, Young teve boa atuação, incomodando Welker e acompanhando o lateral, ajudando na defesa. Mata foi mais efetivo no segundo tempo do que não primeiro. Jogando aberto pela direita, o espanhol perde o seu poder de pensar o jogo. Posição que pode mudar até o fim da janela de transferências, neste mês.

Se o fim do primeiro tempo foi morno, o segundo foi geladíssimo. Com exceção do abafa do Tottenham no fim do jogo, pouco se viu. A zaga dos Red Devils foi pouco exigida. Entre os defensores, Darmian era estreante. Com a responsabilidade de ser a salvação da lateral-direita, o italiano fez boa atuação, foi preciso, seguro, ajudou na defesa e apoiou no ataque. Pela esquerda, depois de conviver com as lesões no último campeonato, Luke Shaw voltou com boa atuação.

Os volantes precisam de mais tempo, e também, de uma definição que só acontecerá no decorrer dos jogos. Carrick e Schneiderlin começaram como titulares. Principal reforço da temporada, Bastian entrou em campo na segunda etapa. Fez o básico. Normal para uma estreia. Herrera substituiu Depay, para jogar a frente dos zagueiros, fazendo a ligação com o ataque.

Do meio pra frente, Chicharito, James Wilson, Fellaini, Januzaj e Andreas Pereira foram nomes que não estiveram em campo. A concorrência pode aumentar ainda mais, caso se concretize a chegada de Pedro, do Barcelona. Pode surgir um 4-3-3 ou 4-2-3-1. Em qualquer um dos esquemas, a objetividade e o último passe, devem ser trabalhados. Por muitas vezes, o United rodou, rodou e não chegou a lugar algum.

Como diria a sabedoria popular, "é o que tem pra hoje". A compactação e a rápida saída no contra golpe são pontos positivos para o Manchester. Mais uma vez lidando com saídas e chegadas, Van Gaal novamente vai ter que pedir calma aos seus adeptos. No aniversário do chefe, seus jogadores lhe deram um pequeno mimo, ainda longe de ser um grande presente.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Com organização, visibilidade e grandes nomes, MLS mostra ser mais do que um "mercado em expansão"



Por João Vitor Rezende

Drogba, o mais novo astro da MLS (Foto: AP)

Pirlo, Kaká, Lampard, Gerrard, David Villa, Robbie Keane, Giovani dos Santos, Oba Oba Martins, Dempsey, Giovinco. Recentemente, juntaram-se a eles Shaun Wright-Phillips, Drogba e Barnetta. Elenco digno de grandes ligas mundiais, mas em um local que até pouco tempo "não gostava de futebol".

Liga essa, que também revela jogadores para a sua seleção. Beckerman, Bradley, Kljestan, Altidore, Diskerud, Maurice Edu, Besler, Wondolowski, Feilhaber, Eddie Johnson, DaMarcus Beasley, Zusi, Omar Gonzalez, Nick Rimando, Jermaine Jones e Gyasi Zardes. Alguns dos jogadores que estão ou já representaram sua pátria em compromissos selecionáveis.

Outros jogadores, sem tanto renome, mas com passagens em times de centros considerados mais importantes, também compõem o grupo. Como os casos de Reo-Coker, Maloney, Donadel, Pogatetz, Maidana, Álvaro Saborio, Piatti, Iraola, Benóit Cheyrou, Gastón Fernandez, Pedro Morales, Juninho e Bradley Wright-Phillips.

Não falo de nenhuma grande liga europeia. Muito menos, sul-americana. E nem do crescente mercado asiático. A Major League Soccer (MLS) ganha cada vez mais espaço e visibilidade. Pelé no NY Cosmos e os vários craques que estiveram nos EUA nas décadas de 70, 80 e 90, plantaram a semente. Beckham, Blanco, Ljungberg, Henry, Robbie Keane (ainda em atividade) e Tim Cahill trouxeram a exposição que a liga desejava.

Dinheiro, outros lugares também têm. Oriente Médio e os petrodólares, China e Índia despontando com grana e público (muito público) e alguns países do Leste Europeu. Além das aquisições milionárias de grandes times europeus, como os casos de Manchester City, PSG, Monaco, e os mais recentes, Internazionale e Milan.

A maioria dos jogadores estrangeiros que chegam a MLS, tiveram seu auge na Europa, para depois, com mais idade, buscar mais tranquilidade e "novos desafios". Dempsey, Giovani dos Santos e Giovinco (este último, um dos maiores marcadores e passadores do atual campeonato), são algumas exceções à essa regra. Mas, o investimentos são regulamentados, ao avesso dos outros países citados acima.

Os times tem teto salarial, limite para transferências e jogadores estrangeiros, além de incentivo as categorias de base. Os clubes podem gastar 3.49 milhões de dólares por ano em salários, com 20 jogadores. Em média, 16200 dólares mensais para 18 jogadores. Os outros dois, são os designated players, que tem salários mais altos em relação ao piso. Para ter outro jogador acima do teto, o clube deve pagar 150 mil dólares para serem divididos entre os clubes que contam com apenas dois jogadores nesses moldes. A liga paga o teto para estes atletas. O excedente, é de responsabilidade dos clubes.

Outros oito jogadores, fora do limite salarial, fazem parte dos elencos. Podem ter, no máximo, 25 anos. Recebem por volta de 50 mil dólares anuais. Essa medida faz com que os times tenham que revelar jogadores, para completar seus plantéis. As janelas de transferências se limitam a duas, e os times com piores campanhas no ano anterior, tem prioridade para contratar jogadores considerados valiosos, que ficam numa lista determinada pela Major League Soccer. Os clubes ficam restritos a apenas um empréstimo, dentro. Como um todo, as regras permitem um equilíbrio no campeonato, a organização motiva os craques e estimulam os jovens jogadores, já que eles sabem que seu espaço está garantido em algum dos 20 clubes.

Por isso, a MLS é um sucesso de público. Mesmo com estádios de pequeno e médio porte, a média de torcedores por jogo em 2014 foi de 18.845 presentes. Oitavo lugar mundial. Bem a frente do Brasil, que ocupou o 15º lugar com 14.951 pagantes por jogo. Mesmo com nível técnico um pouco inferior, o campeonato norte-americano consegue ser mais atrativo para os adeptos do que o Brasileirão.

O que torna a MLS mais receptiva para o público do que o Brasileirão? E não pensem que os torcedores não são muito ligados ao clube. A torcida do Seattle Sounders é uma das mais fanáticas da liga, e passa a ser reconhecida futebolisticamente. Mesmo sem a tradição das ligas locais de outros esportes, como a NHL, NFL, MLB e NBA, aos poucos, a Major League vai buscando seu espaço. A expressão "mercado em expansão", tornou-se "mercado consolidado". Por essas e outras, cai por terra a afirmação "americano não gosta de futebol" ou "o futebol que eles gostam é outro". E quando eles gostam de algo, é difícil de segurar...

* Informações sobre regras da Major League Soccer: MLS Inside - ESPN
* Informações sobre média de público da Major League Soccer: Hora de SC

quarta-feira, 8 de julho de 2015

7 a 1, foi pouco?



Por João Vitor Rezende

365 dias se passaram e David Luiz ainda é convocado (Foto: Gabriel Bouys/AFP)

Primeiramente, peço perdão pela falta de textos, em função de gripe, viagem e volta às aulas. Volto hoje, numa data que será um eterno marco no futebol brasileiro. 8 de julho, o dia do 7 a 1. Há um ano, assistimos o maior desastre da seleção canarinho. E o pior, dentro de casa. 365 dias depois, parece que o passeio ainda continua. Portanto, listei sete motivos para mostrar como Müller, Kross, Klose, Schurrle e Khedira ainda fazem gols na nossa meta.

Dunga
Depois do trauma, precisávamos de alguém que colocasse a autoestima lá em cima. Não necessariamente com ótimas atuações, e sim, resultado. Como sempre aconteceu em todas as escalas do futebol brasileiro. Possível ruptura com um nome estrangeiro e Tite, eram as principais opções. Mas aí, ressuscitaram Dunga. O capitão de 1994, dirigiu a seleção entre 2006 e 2010. Vale ressaltar a falta de bons jogadores que o treinador teve no período. Depois, assumiu o Internacional e não obteve grandes resultados. O que justificou sua volta a seleção? Ninguém sabe. Resultado: eliminação nas quartas de final da Copa América e poucas atuações boas.

Perda de carinho do torcedor com a seleção
A cobrança dos torcedores é sempre inevitável. Ainda mais depois de 10 gols sofridos nos últimos dois jogos da Copa. Era o sonho de vencer em casa. Era. O final trágico abalou ainda mais a relação da torcida com seu selecionado. Muito pela gestão da CBF, pela falta de bons atuações e pela falta do título mundial. A maior prova, veio nos últimos dois amistosos antes da Copa América. Allianz Parque e Beira Rio longe de estarem lotados e sem o mínimo de empolgação dos torcedores. A missão de recuperar o orgulho de seus adeptos será demorada e complicada.

CBF
4 de junho de 2014: CBF inaugura nova sede com o nome de José Maria Marin. 27 de maio de 2015: Acusado de corrupção, Marin é preso na Suíça as vésperas da eleição na Fifa. 6 de junho de 2015: Segundo a "Folha de São Paulo", Del Nero passa a ser investigado pelos EUA por possível participação em acordos com a Traffic. Para "mostrar serviço", a CBF promove um Conselho de Desenvolvimento Estratégico do Futebol Brasileiro apenas com ex-técnicos da seleção (sem gestores, jogadores e outros técnicos com rodagem e 'atualização futebolística') e um grupo no Whatsapp com os técnicos da Série A do Brasileirão. "Cebefeando".

Planejamento das seleções de base
29 de abril: Alexandre Gallo convoca a seleção brasileira sub-20 para o Mundial da categoria. 8 de maio: Alexandre Gallo é demitido; Rogério Micale assume a 23 dias da disputa do torneio, com a lista do antigo técnico; Dunga assumirá a seleção nas Olimpíadas de 2016. Micale mostrou-se um ótimo comandante e levou seus garotos até a final da competição. Pra CBF, mais sorte do que juízo. Mais uma vez, corrigiram um erro cometido. Foi assim com Mano Menezes. Foi assim com Gallo. Pode ser assim com o Dunga. E assim, seguimos rasgando planejamento.

Clubes: falta de gestão financeira, técnicos, bases
Nove técnicos foram demitidos em 12 rodadas do Brasileirão. Clubes sentindo na pele a irresponsabilidade financeira, tendo de reduzir drasticamente seus gastos e gerar novas receitas, principalmente vendendo jovens jogadores. Atletas sul-americanos estão na mira, já que aceitam salários menores que os brasileiros. Poucos meninos "pratas da casa" chegam a ter chances de atuar nos times profissionais. A maioria acaba em pequenos clubes ou são vendidos para quitar dívidas dos seus clubes. Assim, o campeonato nacional vai perdendo força, atração e visibilidade.

Falta de uma liga dos clubes
Quando uma ruptura com as federações parecia dar seus primeiros passos, a CBF jogou um balde de água fria nos planos dos mais 'rebeldes'. O que muitos veem como evolução, vejo com cautela. A maior liberdade dos clubes no Conselho Técnico, que regulamenta as competições brasileiras, é mais uma manobra política do que qualquer outra coisa. Até quando os clubes terão essa independência, não é possível prever. Mas essa ação, não chega perto dos benefícios e autonomia que a criação de uma liga pode proporcionar. Só assim, os clubes realmente terão o comando necessário para reformular nossos certames. Enquanto isso, os grandes patrocinadores seguem destinados para vários lugares, menos para os clubes.

Divisões inferiores do futebol brasileiro
Apenas 100 clubes estão nas quatro divisões organizadas pela confederação nacional. Isso, seria facilmente organizado por uma liga. Por exemplo, as quatro divisões inglesas são organizadas pelos clubes. A Premier League cuida da primeira e a Championship das outras três. Na Itália, França e Alemanha, as duas primeiras divisões são regidas pelos times. Por que não uma iniciativa semelhante no Brasil? O fato de termos um grande território, deveria ajudar na formação de novos talentos, novos torneios e novos clubes. Seguimos esperando a boa vontade da CBF, para que um dia ela se torne "o Brasil que dá certo".

Pra relembrar a data, vale ver este vídeo da Folha de São Paulo. Pra quem ainda não acredita no massacre, veja o Brasil avançando para final da Copa.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Por que a maioria das jovens promessas não chega à seleção canarinho?



Por João Vitor Rezende

Veremos essa cena mais vezes? (Foto: Jamie McDonald/Getty Images)
A cada dois anos, os novos craques e as eternas promessas disputam o Mundial Sub-20. Nos últimos sete torneios, chegamos cinco vezes nas semifinais. Dois títulos, 1 vice, 1 bronze e estamos na véspera da final na Nova Zelândia. No mesmo período, duas Copas América e três Copas das Confederações consecutivas. Desde 2003, cinco troféus e pouca satisfação para o torcedor. Nenhuma Copa do Mundo. Nem mesmo a tão sonhada conquista olímpica veio. Poucos jogadores formados nessas competições chegam a seleção principal. Por que isso acontece?

Pra não ir muito longe, vamos fazer um pequeno filtro. Abaixo, alguns dos nomes revelados nos últimos três mundiais disputados de 2007 a 2011 (Brasil não se classificou em 2013). Entre os que deram certo, alguns nomes que já tiveram aparições na seleção principal e outros que ainda estão na esquadra nacional.

Os que deram certo: Luiz Adriano e Marcelo em 2007. Rafael (goleiro do Napoli), Souza, Giuliano, Douglas Costa e Alex Teixeira em 2009. Em 2011, o elenco que gerou mais nomes para a seleção principal. Nomes como Danilo, Juan Jesus (atualmente na Internazionale, já teve chances com Mano Menezes), Alex Sandro, Casemiro, Fernando, Willian, Oscar e Coutinho, estão ou estiveram presentes nas últimas listas.

Apenas listar os nomes que deram errado não foi suficiente. Os flops são tantos que dá até pra fazer uma seleção. Confira a raspa do tacho entre os últimos ex-selecionáveis:
Goleiros: Muriel e Felipe (ex-Santos) - os dois de 2007;
Defensores: Frauches, Toloi, Bruno Uvini, Bruno Bertucci, Douglas (sim, o Doug do Barça), Eduardo Ratinho e Galhardo;
Meio-campistas: Boquita, Leandro Lima, Wellington Junior (ex-Botafogo), Alan Patrick, Ji Paraná (jogava no Internacional em 2007), Tchô (também em 2007) e Maylson (estava no Grêmio em 2009).
Atacantes: Ciro, Henrique (ex-São Paulo), Willian José, Negueba, Jô e Diogo.

Além destes, outros nomes que têm destaque em times brasileiros, mas não despontaram como era esperado: Cássio e Renato Augusto no Corinthians; Anderson na época no Grêmio e hoje no Inter; Pato, Alan Kardec e Ganso no São Paulo e o contestado Dudu no Palmeiras.

Apenas 15 jogadores subiram para a seleção principal. Citando apenas os convocados para a Copa América, o número cai pra cinco (Danilo esteve na lista mas se lesionou). 21 listados entre os que "floparam", fora outros não lembrados e os que estão jogando no país e não deram tão certo assim. Além disso, o planejamento das seleções de bases por muito tempo foi deixado de lado, não formamos técnicos e gestores.

E o principal: não temos paciência. É difícil cultivar um trabalho desta forma. Muitas vezes, o treinador da seleção principal assumia as inferiores no período próximo a Olimpíada, e com isso gastava algumas datas para amistosos com um trabalho que não deveria ser seu. Os jovens atletas não se reuniam, não jogavam juntos, não tinham entrosamento. E quando tinham a oportunidade de jogar juntos, sentiam a pressão de defender a seleção canarinho com a obrigação excessiva.

Quando a seleção com idade olímpica começou a se reunir, o técnico é demitido poucos dias antes do Mundial e com a convocação já feita. Sim, Gallo é um treinador mediano e com currículo fraco. Mas deixaram pra corrigir o erro em um momento pouco oportuno. Sorte que Rogério Micale está dando certo e está dando a palavrinha mágica que todos os cartolas da CBF amam: resultado. Enquanto estiver assim, está ótimo. Quando o resultado deixar de vir, será difícil manter. Espero queimar minha língua com isso.

Deste Mundial da Nova Zelândia, o Brasil pode ver em breve alguns jogadores com destaque. Jean, Jorge, João Pedro, Danilo, Boschilia, Marcos Guilherme, Gabriel Jesus, Alef, Jean Carlos, Malcom, Judivan. Andreas Pereira parecem ser nomes promissores para o próximo ciclo. Parecem, pois nessa idade tudo é incógnita. Danilo, Jean Carlos e Andreas já estão fora do país, outros como Marcos Guilherme e Malcom podem ir em breve. Temos de torcer para que tenham rodagem e voltem para vestir a amarelinha.

A safra é boa, mas já tiveram melhores. O que não é de se espantar, pelo panorama do futebol brasileiro. Quantos destes que brilham em 2015, estarão em 2018, em 2022 ou 2026? Pergunta difícil de ser respondida. Se nem os dirigentes colocam a mão no fogo por nossos atletas, por que eu colocaria?

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Alguém viu Fernandinho aí? Não! Eu também não vi Elias...



Por João Vitor Rezende

Habemus Brasil sem Neymar? (Foto: Reuters)

GSW e a dobradinha de MVP's
Deus (ainda) odeia os esportes de Cleveland. LeBron e seus pimpolhos tiveram minha torcida. E James teve papel fundamental pra que essa série não acabasse no quarto jogo. Ao meu ver, merecia o MVP. Porém, a conquista ficou pro seu marcador, que saiu do banco pra fazer a diferença pro Warriors. Já que os "Splash Brothers", Curry e principalmente Thompson, pouco apareceram, Iguodala resolveu. Com média de 16.3 pontos, 5.8 rebotes, 4 assistências e 37 minutos por jogo, o ala dos Warriors recebeu o prêmio de jogador mais valioso das finais.

Leandrinho, o segundo brasileiro a vencer a NBA, apareceu bem. Acertou pelo menos uma bola de três por jogo, com 10 minutos por duelo na série decisiva. Bolas de fora - inclusive de Steph Curry - que resolveram cair no último jogo, deixando o trabalho mais fácil para o Golden State. As jogadas no garrafão foram um desfalque para o Cavs, que teve Lebron carregando o time nas costa e acabou sentindo o cansaço, principalmente nos jogos 4 e 6. Sem Love e Varejão, fica complicado. Tem outros troféu, Cleveland!

Eu já sabia, que ia terminar assim...
Parafrasear Marcelo D2 foi adequado. São muitos os problemas e espero que eu consiga resumir tudo sem me estender tanto. Atuação sofrível. Neymar muito mal e ainda por cima, estressado, nervoso. Isso diz muito. Talvez o craque do Barcelona não esteja tão pronto assim pra ser capitão. Reclamou muito da arbitragem e acabou sendo expulso. Caiu na provocação dos adversários, como é de costume dos brasileiros. Não aprendemos a jogar contra nossos rivais sul-americanos. Não sabemos lidar com a catimba. O cartão vermelho, somado ao segundo amarelo na competição, renderam dois jogos de suspensão (um por cada ato) para Neymar. Como o Brasil vai se virar? E pro azar de Dunga, a Colômbia estava em uma noite inspirada, com destaque para a ótima atuação de Carlos Sanchez,

Com a derrota quase decretada, o que se viu foi um baita bumba meu boi da seleção canarinho. Muita desorganização, que é responsabilidade de Dunga. Tem tanto jogador do Shakhtar entre os selecionados e o mais útil não foi chamado. Fernando é bem melhor que o seu xará diminutivo. E bem mais proveitoso do que Fred, por exemplo, que em minha opinião deveria ter dado lugar a Felipe Anderson na convocação. Vejo que tinha lugar até pra Oscar, no lugar de Douglas Costa. Coutinho aberto, Firmino na frente. Parece que Dunga não assiste as partidas dos seus atletas. E nem de seus adversários, já que relatou na coletiva que "a Colômbia joga compacta, não vai vir pro ataque". Uma coisa não exclui outra, professor.

Algumas coisas ainda não mudaram. 2015 e ainda falamos de "meia armador". Amigo, em qual seleção temos alguém desempenhando esse papel? E em qual time? O "meia armador" transferiu a função pro volante. Hoje, Fernandinho e Elias desapareceram. Nem tão sumidos, já que o jogador do City vem aparecendo muito, abrindo a caixa de ferramentas o tempo inteiro. Dunga tirou o que de melhor tem Elias: a sua capacidade de chegar ao ataque. Os dois, principalmente Fernandinho, não são um primor de técnica e fundamentos, e não aparecem no ataque.. Assim, formando mais volantes dessa forma, 7 a 1 continuará sendo muito pouco. Só pra lembrar, no 7 a 1, Kroos fez dois gols e Khedira fez outro. Dois volantes.

Segundo o jornalista espanhol Alexís Martín-Tamayo, conhecido como Mister Chip, Gales e Romênia passaram o Brasil no ranking da FIFA. Tá que essa contagem é meio balela, mas é um alerta. Tem que ficar de olho. Culpar a arbitragem pela derrota não adianta e é feio. E culpar Dunga pelo estilo de jogo da Seleção, não adianta. Todo mundo sabia que seria assim. Agora, é tarde.

Quem vai me fazer queimar a língua agora?
Cravei a Argentina como favorita no meu último texto (veja aqui). Agora, tenho um pé atrás. Ao mesmo tempo, nenhuma seleção é unânime até o prezado momento. A Argentina engasgou na primeira rodada contra o Paraguai, e venceu o Uruguai fazendo o básico. Uruguai que na abertura suou contra a Jamaica. Jamaica que disputa a Copa América pela primeira vez, no Chile. O Chile começou bem, mas tropeçou no time reserva do México. Time que deu trabalho pro Brasil em amistoso. Brasil que jogou muito mal e perdeu pra Colômbia. Colômbia que perdeu pra Venezuela na primeira rodada. É a Copa América mais imprevisível que já vi. Mas sigo apostando na Argentina, em sua defesa, criticada mas não vazada, em Messi e na evolução de Tevez no torneio.

E a gurizada vai bem, tchê!
O hexa está perto. Não é zueira com a saudosa Copa de 2014. É o sub-20 próximo de alcançar o feito no Mundial da Nova Zelândia. O time me agrada, mas o trabalho do treinador tem sido digno de aplausos. Rogério Micale herdou a convocação de Alexandre Gallo, assumiu em cima da hora e deu conta do recado. Jean, Jorge, Danilo, Gabriel Jesus, o lesionado Judivan e Jean Carlos, podem se transformar em bons frutos para a seleção principal. Ótimo trabalho contra Senegal e vaga assegurada pra lutar pelo título. Mas é bom abrir o olho com a Sérvia. Os sérvios têm melhorado o seu trabalho na base, tanto que está na decisão do Mundial Sub-20 e na fase final do Europeu Sub-21.

Não esgoto o tema aqui. Amanhã tem post sobre a garotada, pra refrescar a memória. Inté!

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Hoje eu acordei, me veio a falta de você...



Até a bola e a taça chegarem ao Maraca, teve muita Copa... (Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images)

Ô saudade da Copa... A Copa foi tão boa, que até o nível do futebol brasileiro melhorou. Também, se piorasse ia ser difícil de ver. Um ano depois, lembrarei dos sete fatos (sim, é uma lembrança do 7 a 1) que me chamaram atenção na Copa. Alguns deles, histórias muito pessoais, que só um torneio desse calibre futebolístico deixa na memória.

Abertura da Copa
O evento que abriu a Copa deixou muito a desejar. Mas o que vi nas ruas, não teve comparação com 2002, 2006 ou 2010. Assisti Brasil x Croácia numa casa de shows e por um lado me arrependo. Cheguei atrasado, não consegui ver o jogo direito e tomei banho de cerveja depois do gol de Oscar. Entretanto, a vibração das pessoas que estavam presentes e o entusiasmo brasileiro foi algo inédito pra mim. O que veio depois é história. Porém, a abertura sempre terá um lugar especial em minha memória.

Blind para Van Persie e...
Nunca fui muito fã da seleção espanhola. Tive um apreço pela Holanda por ter Blind, Van Persie e Van Gaal, o volante, o atacante e o atual treinador do Manchester United. Por essas razões, era óbvio que a minha torcida era a favor dos holandeses. Logo no segundo dia da Copa, não imaginava que poderia acontecer uma partida tão histórica. A Laranja Mecânica vingou a Espanha. E Van Persie entrou pra história. Entrei em choque com o gol de empate. Nunca tinha visto algo como o que aconteceu. O improviso, a habilidade e a ousadia merecem ser exaltados. É gol pra nunca mais se esquecer.

Itália 0 x 1 Uruguai
Antes de escrever, assisti esse jogo pela primeira vez, quase um ano depois do Mundial. E esse jogo foi histórico. Duas seleções campeãs mundiais, brigando por vaga na última rodada do grupo. Pirlo nunca correu tanto, merece uma menção muito honrosa pela dedicação que teve. A raça uruguaia é comum, mas o que Cavani e Arevalo Rios fizeram foi sensacional. Godin decidiu a partida que ficará conhecida por muito tempo pela mordida de Suarez em Chiellini, que ninguém em campo viu.

Mas, esse jogo não está no top sete por nenhum desses motivos. Como disse acima, só assisti esse duelo hoje. No dia do confronto, viajei para Curitiba a fim de visitar o Museu Oscar Niemeyer. Assisti alguns momentos do jogo na hora do almoço, em um shopping, por um celular do meu companheiro de classe. Andamos de onde estávamos para outro museu (que não me lembro qual era), e no caminho fiquei procurando algum televisor pra ver o jogo. Demorei pra pensar em colocar o fone de ouvido e escutar pelo rádio no celular. Quando tive essa ideia, estava no outro museu participando de uma palestra. Não me pergunte qual era o tema, que não me importei nenhum pouco e coloquei o fone da mesma maneira. Sempre admirei a Azzurra e pro meu azar, poucos minutos depois de sintonizar a Transamerica, escanteio de Gaston na cabeça de Godin. Fiquei mais triste pela eliminação da Itália, do que a eliminação brasileira. Sem dúvida, foi mais uma marcante história de Copa que eu tive.

Nigéria, a seleção maracujá
Mesmo perdendo dois jogos, Argentina e França salvaram a participação da Nigéria na Copa. Os africanos só estão no top sete por terem me feito dormir duas vezes. O empate sem gols contra o Irã em Curitiba e a vitória com gol irregular em cima da Bósnia, foram dois dos piores jogos do Mundial. E o pior, os jogos foram no entardecer e durante a noite. Aí complica. Que a Nigéria tenha atuações melhores em 2018.

Sete a um
Quando falei que senti mais a saída da Itália do que com a do Brasil, era verdade. No momento, só conseguia rir. Não apoiei a seleção brasileira, pra não viver de ilusão. E pra você ver, como nos contentamos com pouco, mesmo depois de 10 gols sofridos nos últimos jogos, ainda comemoramos o quarto lugar. Ainda tá tudo muito bom, já que nada mudou e nem vai mudar tão cedo. Aí vencemos amistosos contra seleções fracas, conquistamos a Copa das Confederações e a história se repete de novo. A derrota foi ótima pra perceber que o conto de fadas que os dirigentes vivem, não é verdade. Melhor que a derrota, só os memes que surgiram, como o Khedira e o "virou passeio", "sete a um foi pouco" e o Legado da Copa, que inclusive virou página no Facebook.

Alemanha
A melhor seleção do Mundial, também foi a mais "marqueteira". Neuer e Schweinsteiger cantando "Bahea, Bahea", os jogadores e suas famílias na praia em Trancoso, Podolski brasileiro no Twitter. Por essas e outras, os alemães mereceram a quarta estrela. E tiveram torcida brasileira na final, afinal, antes a Alemanha do que a Argentina. Mesmo sem Reus e sem laterais de ofício, os europeus sobraram, passearam. Neuer, Hummels e Muller fizeram jus ao título. Schurrle, o décimo segundo jogador, e Klose, o maior artilheiro das Copas com 16 gols, também devem ser lembrados. Abre o olho, Brasil, a concorrência tá aumentando...

OEAAAAAAAAAAAA
O que dizer dessa música que só tem três vogais e consegue ser tão marcante? Azar do Pitbull, Jennifer Lopez e Cláudia Leite, que fizeram We Are One pra ser o 'hino' do torneio. Mal sabiam que o jingle da Fifa seria tão inesquecível. Seja saudosista comigo e relembre a abertura das TV's na Copa das Copas, clicando aqui.

Menção honrosa: Bélgica x EUA
Espanha e Holanda fizeram um jogo incrível logo no segundo dia da Copa. Teve tanto gol em França e Suíça, que até depois do apito final teve bola na rede. Alemanha e Argélia protagonizaram um jogo eletrizante no Beira Rio, com direito a prorrogação e sufoco dos africanos. Mas Bélgica e Estados Unidos, é o meu jogo preferido. Nunca vi em um jogo de alto nível, algo parecido com o que a Bélgica fez. E muito menos, com o que Howard fez. De um lado, 38 chutes, 27 deles no gol. De outro, 15 defesas, um recorde na história das Copas. E mesmo assim, os gols só saíram na prorrogação. Pela ofensividade, a Bélgica mereceu vencer por 2 a 1.

E você, tem memórias da Copa das Copas?

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Del Nero, Dunga, planejamento, Seleção Brasileira. Título tão bagunçado quando o nosso futebol



Por João Vitor Rezende

Papa Del Nero abençoando suas federações (Foto: Antônio Lacerda/EFE)

Amigos, já tiveram semanas repletas de assunto, mas essa, olha... Fiz um filtro pra falar (e cornetar) sobre alguns temas. E ainda assim, tem cinco temas com certa relevância pra contar pra vocês. Já aviso que tem remember de texto antigo. E lá vamos nós!

Tá todo mundo louco. Oba?
Sério, tá tudo MUITO errado no futebol brasileiro. Poderia ficar horas falando disso, mas dessa vez vamos a três pontos que me chamaram a atenção. De passagem em Brasília, Del Nero soltou mais uma pérola na última terça. Pérola, pois não é possível levar a sério. O horário da exibição dos jogos na TV aberta tem sido questionado, principalmente o de quarta-feira. O presidente afirmou que os jogos podem começar 20 minutos mais cedo já em 2016, passando das 22h00 para 21h40. Sério mesmo, Del Nero? E quer vangloriar uma decisão dessa? Então me diz uma coisa, como a Globo irá exibir os jogos do Brasil na Copa América as 21h00? Não dá pra fazer isso com o Brasileirão? Se o horário é um dos motivos que afasta o torcedor dos gramados, não serão 20 minutos que farão a diferença.

Do outro lado, quem deveria cobrar, criticar e ter o mínimo entendimento do futebol atual, diz que o Marcelinho Carioca foi mais regular que o Messi. Pra quem não viu, dê uma olhada. A sorte que Paulo Vinícius Coelho e Mauro Beting estavam no estúdio pra não deixar um absurdo desse passar em branco. Parece que o Mário Sérgio não vê o Barcelona. Marcelinho Carioca fez em torno de 60 jogos e nem chegou a fazer 20 gols, nas quatro temporadas que teve fora do país. Foi um bom jogador, exímio cobrador de faltas. Mas Messi, é Messi. Marcelinho não foi nem o maior brasileiro. Fica difícil competir com um ser de outro mundo.

Abre aspas para Dunga: "Eu acho que muitas coisas melhoraram, mas têm que começar do princípio. Os clubes começaram com os centros de treinamento, o que é um ponto positivo. Os estádios, que nós tanto reclamávamos para ter uma qualidade para jogar um bom futebol. Os clubes se reorganizando". Resposta para Edu César, do Papo de Bola. Dunga disse há um tempo, que os principais times ingleses jogam no 4-4-2. Professor, além de não assistir a Premier League, você também não se informa sobre os times brasileiros. Os clubes não se movem pra fazer uma liga e seguem jogando seus planejamentos no lixo. Os estádios em sua maioria só deixaram dívidas, vide Corinthians e Grêmio, e transtornos, vide Arena Pantanal. Quem começou centro de treinamento? Eu, não vi. Parece que os dirigentes estão em uma realidade paralela. Sinceramente, não dá pra levar a sério o futebol brasileiro.

Sentindo no bolso
Não é organização. É sentir o efeito da irresponsabilidade financeira na pele. O que implica em corte de gastos. Segundo o Yahoo!, o teto salarial do Corinthians foi fixado em 250 mil reais. Mais de um semestre dos direitos de imagem, item que deve ser revisto pelos clubes, estão atrasados no Corinthians. Inclusive, parece que está sendo revisto no Grêmio, que também está em contenção de gastos, pelo mesmo motivo: novo estádio. No rival tricolor, a possível venda de Rodrigo Caio, que poderá render mais de 40 milhões de reais aos cofres do São Paulo, deve ser utilizado para equilibrar as contas. Aidar deve dois meses de direitos de imagens aos seus atletas.

Brasil, vice campeão da Copa América
Sim, foi meu palpite pra campanha brasileira na competição continental. O Chile tem Sanchez, a torcida e Sampaoli. Colômbia tem James Rodriguez, Bacca e Pekerman. A Argentina tem Messi, Aguero, Tevez, a melhor zaga dos últimos tempos (não significa que seja a melhor do torneio) e Tata Martino. O Brasil tem Neymar, Coutinho, Willian e eficiência. Este que vos tecla, crê que a Argentina é favorita por ter Lionel, entrosamento e um time fortíssimo. Apenas o goleiro ainda é inferior ao restante do time. Pra não dizer que sou um crítico extremo da seleção brasileira, o contra-ataque e a capacidade de utilizar os espaços vagos em campo tem me agradado. Mas o pragmatismo de boa parte do jogo, me deixa com um pé atrás. Entretanto, ainda vou dar tempo para Dunga. O primeiro campeonato oficial pode mudar muita coisa.

Não deu pra planejar o subtítulo
Não queria falar disso de novo, mas as circunstâncias me forçaram a isso. Pra quem não viu, tá aí. 23 reforços e cinco meses de trabalho. Pouco tempo pra quem teve a missão de montar um time do zero. Mas e daí? Não ganhou, tá fora. Essa é a lógica do nosso país. Não tenho nenhum problema sério de visão e a minha TV não tem defeito. Portanto, tenho certeza que o Alexandre "Mittos", não contratou nenhum craque. Nenhum jogador acima da média. Principalmente para a zaga. O elenco é bom, mas poucas peças se sobressaem. Aposto que se Marcelo Oliveira não estivesse disponível no mercado, a paciência com Oswaldo de Oliveira seria maior. Doriva tá "fazendo a curva", como dizem no interior. Marcelo Fernandes quase "foi pro saco", não fosse o empate com o Galo. No mesmo jogo, Levir Culpi, vencedor da Copa do Brasil em 2014, foi vaiado. Será o próximo a cair? Cuidado, Culpi. Caiu no Horto, tá...

O futuro do futebol mundial
Por fim, uma boa matéria do The Guardian sobre o futuro do futebol mundial. Argentina, Brasil, Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Japão, Espanha e Gana tiveram seus times sub-23 projetados por comentaristas. Vale a pena ficar de olho, principalmente na França, Espanha e Alemanha. Faltou avaliar a futura "nova geração belga". Muitos desses novos craques podem aparecer por aqui no próximo ano, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. Clique aqui, para ler o texto.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Lista Negra



Por João Vitor Rezende

Foto Vida Loka via Belo Horizonte de A a Z

Blatter, cê tá tirando com a minha cara né?
Blatter, já foi tarde. Nem precisava ter tentado se reeleger. Mas como diz um ditado, o suíço tentou "sair por cima da carne seca". E o pior, um dos caras que mais odeio nesse mundo, tá na mira do menino FBI. Jerome Valcke, secretário geral da FIFA que mandou e desmandou no Brasil. E muitas de suas ordens foram acatadas. Agora, Valcke deu uma baita arregada e não aparecerá no Canadá para a abertura da Copa do Mundo de Futebol Feminino. Copa essa, que será jogada em gramado sintético. Joguei num campo com essa superfície, debaixo de uma baita lua. E olha, não é fácil. Mais uma das pataquadas fifeiras..

Del Nero, cê tá tirando com a minha cara, né?
"A CBF recebeu o anúncio da renúncia do presidente Joseph Blatter com surpresa. É uma decisão de caráter pessoal e que merece a nossa profunda compreensão". Sério mesmo que vocês gastaram uma nota, pra isso? Se tivessem trocado algumas palavras, cabia num tweet. Com essas e outras, a CBF tá morrendo de medo dos clubes realmente se juntarem e criarem uma liga. E olha, a cada fato isso tá mais próximo. Ah, o FBI chegou na saudosa Copa do Mundo, que completa 1 ano daqui 8 dias. Quando a investigação era fora do país, todo mundo achava bonito. Vai sobrar pra muita autoridade desse país. É a hora de correr, Del Nero!

Cruzeiro, cê tá tirando com a minha cara, né?
"Há uma semana, o Cruzeiro era o melhor time do Brasil. Hoje, não presta mais. É o futebol. Ainda mais aqui no Brasil, onde tudo, inclusive a boa fase, é momentâneo". Cantei a pedra no último texto postado no blog (veja aqui). Uma tremenda sacanagem da diretoria cruzeirense com Marcelo Oliveira. Ainda bem que o Luxemburgo chegou e foi o salvador da pátria, não é mesmo? E que eficiência, hein! Nem treinou o time e já venceu. Faça-me o favor, quais são as razões de preterir um técnico bi-campeão brasileiro por outro que não conquista um título expressivo há 10 anos? E os comandantes empregados que abram o olho, nomes como Abel Braga, Muricy (que ninguém sabe se vai parar ou não) e agora Marcelo Oliveira, estão livres.

SanSão, Ponte Cajá e Flumifred
Finalmente, uma boa rodada do Brasileirão. Não vou colocar na conta o passeio do Grêmio contra o Corinthians, pois não vi muitos minutos do jogo. Pela ordem cronológica, o atropelo sofrido pelo Vasco. E os cariocas reclamavam da ponte Rio-Niterói... Dessa vez, a Ponte que deu trabalho foi outra. Liderados por Cajá e Biro-Biro, os campineiros passearam. O Vasco que não se cuide, o rebaixamento é logo ali.

No Morumbi, público baixo, pouco mais de 13 mil pessoas pra ver o SanSão. Pelo jogo, valeria um público maior. O tricolor dominou o primeiro tempo, mas como tem sido desde Muricy, muita posse de bola e poucas oportunidades. Na segunda etapa, destaque para Rogério Ceni. Falha no segundo gol santista e consagração no gol da virada do São Paulo. Entretanto, o centro das atenções do Thiago Duarte Peixoto. O árbitro distribuiu oito cartões amarelos, a maioria por reclamação, e uma expulsão á la Walter com Marquinhos Gabriel. Mais um nome pra ficar atento.Arbitragem novamente sendo protagonista, negativamente.

O pior jogo da rodada foi Fluminense e Coritiba. Ruy chegou no Coxa, trouxe um pouco de qualidade para o meio-campo dos paranaenses, mas... só. É um deserto criativo. Ridiculamente ruim. No fim do jogo, três atacantes em campo, que foram praticamente inúteis. É outro time que tem de abrir olho, ou o Z4 vai engolir. Fred não fez gol, mas participou bem. Buscou jogo, segurou a bola na frente, passou calma aos jovens. É uma pitada de experiência no meio da garotada. Vi o tão falado Gerson, que hoje teve uma fraca atuação. Espero que seja um jogador melhor do que o Gerson que assisti hoje.

Pra não dizer que só teve desgraça...
Não sou um grande entendedor de política, mas todos sabem da relação conturbada entre Cuba e EUA desde o auge da guerra ideológica Capitalismo vs Socialismo. O New York Cosmos deu um passo para a reconciliação entre os países. O último time de Pelé foi até Havana, enfrentar os anfitriões cubanos. No jogo, 4 a 1 para os estadunidenses. Vi poucos minutos da peleja, e percebi o novo posicionamento de Raul Gonzalez, ou Raul Madrid. O maior artilheiro humano da Champions League, agora tem jogado como um líbero, armando as jogadas, recebendo a bola entre os zagueiros e subindo ao campo de ataque. Tem técnica pra isso. Boa escolha do técnico Giovanni Savarese.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Salada mista com atraso, malandragem e pitadas de suborno



João Vitor Rezende

Ilustração: Carlos Latuff/Opera Mundi

Meus caros, muita coisa pipocou nesses últimos dias. Para o trampo ficar mais fácil, vou comentar um pouco sobre alguns desses fatos de uma vez só.

Esse subtítulo foi subornado
Veja só, hein. E vocês achavam que os Estados Unidos não gostavam de futebol? Pegadinha do Malandro. E de malandro, essa história tá cheia. E os estadunidenses não só gostam, como querem limpar o menino soccer que já está tão desgastado pela bruxa má, também conhecida como FIFA. E o pior, é a intromissão de líderes políticos no assunto. Olha só, é cada um no seu quadrado. Não queria ser o Blatter nesse momento. Baita rojão pra segurar, ou não, caso não vença a eleição desta sexta-feira. Sim, amigos. Tem uma ELEIÇÃO no meio de tudo isso.

Não existe hora mais propícia para todas as mudanças necessárias, não só a nível mundial. Começando pelo Brasil. E olha, o trabalho é difícil. A CBF não é boba. Não digo só por terem tirado o nome do vice-presidente José Maria Marin (um dos acusados no processo) da sede. Falando nisso, tivemos tantos craques merecedores dessa honra e foram colocar logo o nome do ex-presidente que virou atual presidiário? Enfim, segue o baile. Recentemente, vi uma notícia afirmando que a CBF pensa em acabar com os jogos as 22h00 na quarta-feira, após a Copa América. Uma das maiores reivindicações da oposição à identidade, que tem o Bom Senso FC como um dos líderes. Del Nero é esperto, quer pontos ao seu favor. Querido FBI dá uma mão aqui também, fazendo um favor.

Pediram o boné
Duas coisas que não andam fáceis por aqui: ser servidor público do Paraná e ser treinador de futebol. Pelo menos o servidor estadual é concursado e não vive na corda bamba. Na dança das cadeiras, a música parou de novo e o Luxa tava de pé. Aí, sabe como é... Dançou! Em minha opinião, um absurdo. É impossível que o treinador tenha feito, em três jogos, algo absurdamente diferente do que vinha fazendo no estadual. Seria mais sensato e mais inteligente, demitir Luxemburgo no fim do Carioca, com tempo do novo técnico entrar na casa e pelo menos tomar uma xícara de café antes de ir pra labuta. E outra, mais uma vez essa história de demissão por telefone. Não é só o Flamengo. E não é a primeira, muito menos será a última vez que isso acontece. Boa sorte para Juan Carlos Osorio, o próximo a chegar nessa bagunça chamada futebol brasileiro. E o pior, é gringo. Por mim, teria todo o tempo do mundo. Já diria Lenine, 'o mundo espera de nós um pouco mais de paciência'.

Mineirazzo II
Há uma semana, o Cruzeiro era o melhor time do Brasil. Hoje, não presta mais. É o futebol. Ainda mais aqui no Brasil, onde tudo, inclusive a boa fase, é momentâneo. Mas esse time da Raposa nunca me convenceu. Claro, não dá pra desmerecer a atuação do Cruzeiro no Monumental. Mas, no Mineirão, os mineiros foram engolidos pelos argentinos. Dez meses depois do fatídico 7 a 1, mais uma lição estrangeira no Mineirão. Compactação, pressão na saída de bola, movimentação e agilidade no contra-ataque, coisa que nenhum time brasileiro faz. Atraso. Ecos dos gols alemães.

Na semifinal, o River enfrenta o Guarani, a surpresa paraguaia da Libertadores, time que sabe das suas limitações e joga em função delas. Los hermanos que se virem.

LeBron x Curry
Pausa no futebol. O último ato da temporada 2014/15 da NBA está definido. Sem Love e Irving, LeBron não fugiu da responsabilidade e levou o Cavs nas costas. Varreu o Hawks. O Atlanta das bolas de três de Korver e do domínio de Horford no garrafão, se escondeu. Menção honrosa para Tristan Thompson, que não teve amor pelos adversários (saca o trocadilho com o Love). JR Smith tem chutado com frequência, mas tem dado trabalho.

Do outro lado, Curry desequilibrou. Não teve tombo que o parasse. O que Bogut não fez de pontos, pegou de rebotes, e o Thompson do Warriors também fez um bom papel. Quase outra varrida. James Harden evitou a perda em uma batalha, mas não na guerra. 13 turnovers do "Barba" no último jogo. Aí complica. Dwight Howard parece ter voltado a ser o Super Homem. O Rockets vai tumultuar na próxima temporada. Entre Warriors e Cavaliers, aposto no primeiro título em muitos anos dos esportes americanos na cidade de Cleveland. Deus (não) odeia os esportes de Cleveland.

FIFA 16
Pra finalizar, notícia pra quem gosta de games. Segundo o Omelete, o FIFA 16, produzido pela EA Sports, terá times femininos e a volta de alguns clubes brasileiros. Inclusive, no trailer lançado pela fabricante, as mulheres terão engenharia específica no FIFA. Já que o jogo está cada vez mais real, faço questão de deixar algumas dicas pra EA adicionar na próxima edição.

- Modo Mineirazzo: Time com camisa amarela (uniforme do Fábio) contra time com camisa que tenha preto e vermelho. Vide 7 a 1 e 3 a 0.
- Modo Silencioso: Torcida brasileira com seu time perdendo o jogo.
- Modo Despedida do Gerrard: 6 a 1. Com algumas escorregadas do inglês.
- Modo Treinador Brasileiro: Dirigir um time novo por rodada.
- Modo Corinthians na Champions League: Só pra ver o que rola.
- Modo Milan/Times brasileiros: A culpa sempre é do técnico.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

É oficial: O Corinthians não vai pra Champions League...



Por: João Vitor Rezende

Foto: Getty Images

... E nem vai brigar pelo título da Libertadores. Antes de qualquer coisa, sou torcedor do São Paulo. Esse texto não vai se tratar de zoeira ou afogação de mágoa. Outra hora falo do Tricolor, pois acho que o problema que Aidar tem pra resolver é mais metódico do que qualquer outra coisa. A derrota de 3 a 0 para o Guarani no agregado, evidenciou fatos que vem acontecendo no Parque São Jorge. Alguns deles, que valem para a maioria dos grandes clubes brasileiros.

O alvinegro está pagando (literalmente e figurativamente) pelos prejuízos deixados pelo ex-presidente Mario Gobbi. Praticamente, um retrato do futebol brasileiro. A má gestão econômica é frequente em quase todos os times do país. Pra piorar, a arrecadação com patrocínios se torna cada vez mais difícil. Atrasos nos direitos de imagem, Arena Corinthians e a renovação de Guerrero são algumas das pendências que caíram no colo de Roberto de Andrade.

Adenor Bachi é o menos culpado. Começou muito bem, mas parece ter perdido força. Até a eliminação no Paulistão contra o Palmeiras e a derrota contra o São Paulo na última rodada da primeira fase da Libertadores, o time estava bem e invicto no ano. Posso até estar errado, mas creio que Tite não deveria ter voltado ao Corinthians. Muitos jogadores que estiveram no ciclo vencedor do técnico, ainda estão no elenco. Dessa vez, com um ambiente bem mais conturbado. O treinador sozinho, não resolve. Mas, como estamos no futebol brasileiro, logo o trabalho de Tite será contestado.

Os jogadores sempre afirmam que os acontecimentos fora de campo não afetam o rendimento. Mas, pra um time que começou em um ritmo tão superior aos demais, essa é uma das hipóteses a serem levantadas. Por que destoou tão rápido? Talvez pelo ritmo exigido logo no início da temporada, tendo que, logo no primeiro mês da temporada, decidir vaga na fase de grupos da Libertadores.

Sete jogadores do plantel campeão mundial em 2012 ainda estão no clube. Cássio, Fábio Santos, Felipe, Ralf, Danilo, Emerson e Guerrero. Todos os citados são peças importantes no time. Agora, estão 3 anos mais velhos. O que faz diferença, principalmente para Fábio Santos, Ralf, Danilo e Emerson.

Onde eu quero chegar com isso? Três anos mais novos, com um técnico muito superior, embalados pela conquista do Brasileirão no ano anterior e com um ambiente mais tranquilo. Aí fica bem mais fácil. O elenco do Corinthians não é a máquina que muitos afirmavam. Não tem time pra jogar Champions League, como um certo comentarista cravou (pra quem não sabe, clique aqui). E muito menos pra ser campeão da Libertadores.

A defesa é fraca. Apenas Gil se sobressai. Cássio é um bom goleiro, e só. Nada de nível de seleção brasileira, monstro, goleiraço. Bom goleiro, apenas. Fábio Santos e Fagner são considerados aceitáveis apenas pelo nível baixo dos laterais em quase todos os times no Brasil. Felipe tem evoluído, mas ainda precisa de tempo e paciência.

O meio-campo é a melhor parte do time. Tem bons nomes como Elias, Jadson e Renato Augusto. Ralf, agora com 31 anos, não vai atuar em um grande clube europeu, como muitos afirmavam. E nunca fez por onde para tal feito. É um bom marcador, mas o futebol de hoje exige muito mais do que isso. O volante do alvinegro não tem um bom passe. Tanto que Tite o recuou depois do intervalo, por não ter função em campo já que o Guarani não atacava com muita frequência. Danilo é o coringa do banco, que na maioria das vezes resolve. Na última partida, não resolveu.

O ataque depende muito de Guerrero, que tem a sua permanência cada vez mais complicada. Vagner Love chegou, mas não tem feito boas atuações. Malcom e Luciano são muito novos e ainda sentem o peso das decisões. Mendoza tem velocidade e... só. Angel Romero não justificou a pompa de sua contratação. Emerson envelheceu, mas o comportamento ainda deixa a desejar.

Por fim, não dá pra tirar o mérito do Guarani. A equipe teve ciência que é inferior ao Corinthians e jogou com uma proposta defensiva. Que deu certo. Nem sempre, fechar o time é consequentemente chamar gol. Mesmo com as boas chances que os donos da casa tiveram no primeiro tempo, os visitantes continuaram desempenhando bem o seu papel. O gol de Fernández, já nos acréscimos da segunda etapa, coroou a bela atuação dos paraguaios.

Nisso, o Corinthians não é exceção. Os times brasileiros não conseguem jogar bem contra adversários muito fechados. Vide Galo, contra o Raja Casablanca no Mundial de 2013. Vide São Paulo, contra o Danubio, já eliminado no jogo da volta. E com dois a menos, a missão ficou quase que impossível.

Não dá pra chorar as pitangas. Já tem o Campeonato Brasileiro no fim de semana. Os dois eliminados da noite de quarta têm a vantagem de não precisarem poupar jogadores para o torneio nacional. É a chance de salvar a temporada. Para o Corinthians, é mais que isso. É hora de se reencontrar. Mostrar pra sua fiel torcida, que não arredou o pé do Itaquerão até o fim do jogo, que o bando de loucos pode ser feliz de novo.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Quem tem medo de Fantasma?



Por João Vitor Rezende

Foto: Daniel Castellano/Paraná Online

Um dia desses, conversava com o pai do meu tio (pra deixar bem claro, não é o meu avô) sobre o futebol brasileiro. Seu Ivair, com mais de sete décadas de vivência, a maioria delas dedicadas de alguma forma ao futebol. Ele me contou que o futuro do futebol brasileiro é dos clubes de cidades médias, de 200 a 300 mil habitantes, sendo apoiados e financiados pela própria região.

E aos poucos, vejo que de alguma forma Ivair está certo. Claro, não significa que os times grandes estão sentenciados ao caos. Mas sim, que os pequenos crescerão. Mesmo que a distribuição de renda entre os times brasileiros não contribua pra isso. Os times do interior de Santa Catarina são a prova disso. Chapecó e Criciúma têm cerca de 200 mil habitantes cada. Joinville é a maior delas, tem aproximadamente 550 mil habitantes. Chapecoense e Joinville estarão na Série A do Brasileirão em 2015.

A ascensão exige o mínimo de organização dos times do interior. Falando do meu estado, Cascavel, Foz do Iguaçu e Operário criaram o programa de sócio-torcedor em 2015. Além do Londrina, que está na Série C, que fortaleceu o projeto já existente. Cascavel chegou as quartas, parou no Coritiba. O Foz do Iguaçu fez uma campanha histórica. Foi semifinalista e garantiu vaga na Série D em 2015 e na Copa do Brasil em 2016. Já o Operário...

Ah, o Fantasma. Por questões universitárias, me mudei para Ponta Grossa no ano passado. Por gostar de futebol, já sabia da existência do time. Porém, a empolgação com o OFEC em 2014 foi pequena e até justificável. Fraco desempenho, torneio da morte, briga pelo rebaixamento. No fim das contas, o Operário se safou. Sem calendário, foram longos meses até ouvir novamente o clube da Vila Oficinas (bairro do estádio Germano Krüger, sede do clube) nas conversas pela cidade.

Pra esse ano, a diretoria pensou diferente. Era a hora de somar forças. Junto com empresários locais e o apoio da fanática torcida, um bom elenco foi contratado. Itamar Schülle, treinador pouco conhecido com rodagem apenas no sul do país, foi o comandante escolhido. O projeto de sócio-torcedor parecia arriscado, utópico. Mas aos poucos, conquistou a confiança dos ponta-grossenses. Hoje, mais de 1500 torcedores são sócios.

Alguns momentos na campanha merecem ser destacados. Na quarta rodada, a vitória fora de casa contra o Londrina, seguida da goleada aplicada no Prudentópolis, no primeiro jogo em casa. O gol do arqueiro Jhonatan contra o Nacional de Rolândia na sétima rodada. A cabeçada de Mateus Lima aos 44 do segundo tempo, que deu a vitória contra o Atlético. A fatídica atuação contra o Paraná, e o belo gol de Carlinhos, no revés em casa por 3 a 1.

No mata-mata, o Operário foi soberano. Invicto, 11 gols marcados, 1 sofrido. A partida da volta nas quartas-de-final contra o Paraná Clube, lavou a alma dos torcedores. 3 a 0, vaga garantida na Série D, na Copa do Brasil de 2016, e o Fantasma voltando a assombrar os times da capital. Nas semifinais contra a outra surpresa do interior, o Foz do Iguaçu, duelo decidido nos pés de Douglas, artilheiro do time com 8 gols. Ou “Showglas”, como quiser. Vaga na final garantida, depois de 54 anos. E pela primeira vez no campeonato, o Operário iria decidir fora de casa.

E o Coritiba mostrou que tem medo de Fantasma. Em casa, 2 a 0. Gols de Peixoto e do iluminado Joelson, que substituiu Douglas, suspenso. Dois tentos que saíram em jogadas paradas, ponto forte do Operário. Na capital, atuação que mereceu aplausos, até da torcida adversária. Juba estava em tarde inspirada. Azar o do Coxa. Doblete, assistência para Ruy e atuação incontestável, ajudando até na defesa. Três dias depois de completar 103 anos, a torcida recebeu o presente que merecia.

Quatro mil assombradores estiveram no Couto Pereira. Mas, a atenção e vibração de 334 mil estavam presentes. A força de uma cidade, que empurrou o time. Como se fosse um trem. Um Trem Fantasma. Até Juba, na comemoração do terceiro gol fez o símbolo da torcida organizada. Quase que agradecendo a todos que estiveram em cada um dos jogos do Operário.

Após o jogo, a festa se espalhou por Ponta Grossa. Uma das principais avenidas da cidade, a Vicente Machado, foi tomada de apaixonados em preto e branco. Logo após o jogo, os atletas voltaram para casa. O Germano Krüger nunca esteve tão feliz. O gramado foi palco pra festa. Que durou até a segunda-feira, com desfile em carro aberto pela cidade.

Nomes como Jhonatan, Danilo Báia, Chicão, Lucas, Ruy, Juba e Douglas, nunca serão esquecidos pelos operarianos. A Série D está aí, e não é sonhar demais, pra quem já foi tão longe. Afinal, Fantasma não tem medo de altura...
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